Shakes devem ser complementos, não substitutos

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 Para médico nutrólogo, é preciso entender que as “dietas milagrosas” devem ser apenas coadjuvantes do emagrecimento saudável

A promessa de um corpo perfeito sem sacrifícios leva milhares de pessoas, principalmente mulheres, a aderir aos famosos shakes emagrecedores. Mas a utilização de tais produtos exige certa atenção. Trocar uma refeição por um shake pode comprometer a saúde. Toda alimentação necessita dos nutrientes adequados, e é nesse ponto que está a maior falha dessas dietas.

Um estudo que comparou por seis semanas os efeitos do shake em uma dieta hipocalórica mostrou que o shake foi mais eficiente na redução de fatores de risco para doenças e medidas antropométricas do que a dieta hipocalórica. No entanto, é preciso entender que esse tipo de dieta é coadjuvante no processo de queima de gordura e não pode ser encarado como a única salvação para o problema.

De acordo com o médico nutrólogo Dr. Luiz Roberto Queroz, diretor da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), as fibras ou mucilagens presentes nos shakes aumentam o bolo alimentar e provocam a sensação de saciedade instantânea. Ao longo do dia, entretanto, o indivíduo pode sentir fome e fazer uso de outros alimentos. Alguns tipos de shakes podem conter grandes quantidades de fibras, que causam transtornos intestinais, gases e flatulência. “Além disso, a quantidade de elementos como vitaminas A, E, C, cálcio e ferro encontrada nos produtos não é suficiente para substituir uma refeição principal”, explica.

“Quando a alimentação é deficiente e não proporciona fibras, vitaminas, minerais e outros componentes importantes, são necessários complementos alimentares fortificados e enriquecidos. Sempre que há excesso ou falta de algum nutriente, a saúde pode ser comprometida”, aponta o médico nutrólogo.

Fome oculta e adaptação do organismo

Dietas pouco variadas e de baixo valor nutritivo levam a uma diminuição das reservas orgânicas de nutrientes necessários à saúde – a chamada fome oculta. A carência de nutrientes impossibilita o organismo de trabalhar como deveria, comprometendo as reações químicas e funções metabólicas. A utilização dos shakes como única fonte de alimentação pode causar anemia, queda de cabelo, desnutrição, cansaço físico e indisposição.

É comum que o organismo se adapte em momentos de privação. Assim, o consumo calórico menor que o habitual pode levar o corpo a diminuir o gasto energético para se adaptar à baixa oferta alimentar. “Com o gasto reduzido e a retomada dos hábitos antigos, o ganho de peso pode ser ainda mais rápido. A melhor solução para perda efetiva de peso é a realização de uma mudança gradual nos hábitos alimentares, aliada à prática de exercícios físicos regulares”, ressalta o Dr. Luiz Roberto Queroz.

Quando recorrer aos shakes

Segundo o diretor da ABRAN, os shakes ajudam a manter o peso quando aliados à nutroterapia educacional. A sugestão é utilizá-los, inicialmente, em substituição a no máximo uma refeição pequena (desjejum ou lanche) e outra grande (almoço ou jantar), além de combiná-los com alimentos mastigáveis, como frutas, saladas verdes ou sopas leves. Após emagrecer alguns quilos, a pessoa pode usá-los como uma refeição pequena.

“O ideal é que, nessa fase, a pessoa tenha aprendido a se alimentar nos horários corretos e de forma equilibrada”, indica Queroz. “Já com o peso regulado, o shake pode ser utilizado quando não há tempo para tomar café da manhã ou às vezes para substituir uma das refeições”, completa.

É importante lembrar ainda que toda diminuição de peso implica em perda de gordura. Quando essa alteração acontece rapidamente, ocorre, entretanto, perda de massa muscular, o que compromete a saúde. Essa diminuição repentina dificulta ainda mais a eliminação dos quilos extras no futuro, além de causar uma possível baixa de imunidade por deficiência de nutrientes essenciais. O resultado é a predisposição do indivíduo ao aparecimento de doenças ocasionais.

 Fonte: ABRAN

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